domingo, 17 de janeiro de 2016

DONA FLOR E SEUS DOIS MARIDOS (RS)

Foto: Adriana Marchiori


Qualidade, bom gosto e requinte nos palcos gaúchos

“Dona Flor e seus dois maridos”, abriu a programação do Porto Verão Alegre. Trata-se de uma adaptação e apropriação da obra de Jorge Amado. O espetáculo gaúcho parte de uma das obras mais conhecidas do Brasil. O que diferencia este trabalho das outras linguagens ao qual já fora adaptado:  o cinema, a literatura e a televisão é a apropriação da teatralidade latente e potente vistos no palco. Dirigido por Zé Adão Barbosa, Carlota Albuquerque e Larissa Sanguiné “Dona Flor” destila na cena uma série de sensações provocadas por sons, cores, texturas, aromas e os corpos dos atores provocando no espectador uma verdadeira catarse.
O espetáculo é uma verdadeira homenagem a obra de Jorge Amado, pois os diretores não se contaminaram pela grande oferta de referenciais existentes e já realizados acerca da obra, pelo contrário, souberam criar, cada um a seu modo, uma cena inventiva e poética, recheada de signos e simbologias partindo de elementos muito simples que remetem a vida noturna de Salvador.
A chamada pós modernidade teatral articulou novos padrões de encenação, requisitando do espectador uma percepção centrada nas sensações, ora desconstruindo a fábula, e evitando qualquer significado racional, ora centrado na experiência estética da performance da representação. E é justamente o que acontece neste trabalho. A priori, o espectador já conhece a fábula da narrativa, o triângulo Flor-Vadinho-Teodoro está enraizado na cultura brasileira principalmente pela abordagem televisiva, mas no caso desta encenação o acerto está justamente em colocar em cena um retrato teatralizado através de uma estrutura polifônica,  fazendo da obra de Jorge Amado um meio e não um fim. Cabe salientar que o espetáculo não é uma simples tradução do texto literário, mas um mergulho nas potencialidades que tornam a cena inventiva a cada quadro.
A trilha sonora do espetáculo é um dos elementos que contribuem para que esta estrutura polifônica funcione muito bem. A direção musical de Simone Rasslan e Álvaro RosaCosta é um dos destaques da encenação, demonstrando mais uma vez a qualidade destes profissionais. Recheada de canções autorais e clássicos de domínio público que incluem samba, valsa, tango entre outros, interpretados ao vivo pelos atores e com acompanhamento instrumental da própria Simone Rasslan e de Kiti Santos. Qualidade, bom gosto e requinte que nos reportam para a Bahia, seu folclore e sua cultura.
Outro destaque é a estética da montagem com seu cenário de Paulo Pereira, que a priori é muito simples, mas que a direção soube aproveitar muito bem. Uma mesa, algumas janelas com seus ladrilhos, tecidos, um lustre (e que belo lustre!) e uma infinidade de possibilidades que transportam o espectador a outros lugares. A cena inicial é de uma beleza rara. A iluminação de Bathista Freire é uma das mais lindas que já vi, pois consegue criar ambientes e texturas diferenciadas, dialogando o tempo todo com a obra. Ora com cores vibrantes, ora limitando espaços, deixando claramente sua marca. Zé Adão Barbosa assina também os figurinos que além de numerosos, são ricos em detalhes, com seus adereços e perucas coloridas, que dão um tom divertido as cenas.
Mas sem sombra de dúvida, o elenco é a força motriz deste espetáculo. Cassiano Ranzolin é muito feliz na personificação de seu Vadinho, um ator com uma disponibilidade e malemolência que o personagem pede, canta, dança e encanta em cena. Uma grande aposta dos diretores e consegue alcançar um resultado admirável em cena. Kaya Rodrigues é Dona Flor e traz ao palco a força da mulher, sua sensualidade e dualidade necessária para gravitar ora no mundo de Vadinho, ora no universo de Teodoro, creio que durante as próximas apresentações essa personagem ganhará ainda mais vida no corpo/alma desta linda atriz. Tom Peres é uma grata revelação, pois consegue tirar o máximo de proveito de seu personagem, construindo um modo de se expressar e deslocar em cena que cativa o espectador, realmente uma grande aposta desta montagem. Angela Spiazzi acompanho através das montagens do Terpsí e já admirava muito toda a sua expressividade, mas atuando e cantando ainda não a tinha visto, e confesso que me surpreende muito, positivamente. Suas participações além de serem pontuais, são cômicas e enérgicas, trazendo toda sua potencialidade expressiva para a personificação de suas personagens, seu corpo sempre em desequilíbrio chama para si o foco sempre que está em cena. Giovana de Figueiredo é outro nome que é destaque, que atriz maravilhosa que os diretores têm em mãos, tem um tom perfeito de comédia, simplesmente irretocável, um grande prazer de ver em cena. Léo Maciel e Álvaro RosaCosta, dois nomes já reconhecidos dos nossos palcos contribuem e muito para a condução do espetáculo, RosaCosta com sua perfeita emissão vocal e sua figura simpática, assim como Maciel que com uma garra constrói personagens potentes, que no canto faz tremer o espectador. Emilio Farias sempre com sua presença carismática e aqui surpreende por sua capacidade vocal, Maya Rodrigues mais uma aposta, pois é segura e tem força nas suas construções e Bruno Pontes é mais um que se revela e mostra a que veio. Ou seja, elenco afiadíssimo revelando novos atores que constroem um espetáculo repleto de méritos. Bravo!!! Produção cuidadosa que merece ser vista e revista por todos aqueles que amam o bom teatro. Vida longa a “Dona Flor e seus dois maridos”! Vida longa a produção e a todos os seus realizadores!


Dona Flor e seus Dois Maridos
Texto: Jorge Amado
Elenco: Kaya Rodrigues, Cassiano Ranzolin, Tom Peres, Álvaro RosaCosta, Giovana de Figueiredo, Maya Rodrigues, Leo Maciel, Angela Spiazzi, Bruno Pontes e Emílio Farias
Musicistas: Simone Rasslan (voz e piano) e Kiti Santos (flauta e cello)
Direção: Zé Adão Barbosa, Carlota Albuquerque e Larissa Sanguiné
Direção musical, trilha sonora original e arranjos: Simone Rasslan e Álvaro RosaCosta
Direção de produção: Joice Rossato
Iluminação: Bathista Freire
Assistência de iluminação : Daniel Fetter
Vídeos: Daniel Jainechine
Figurino: Zé Adão Barbosa
Trilha pesquisada: Simone Rasslan e Zé Adão Barbosa
Letras: Ronald Augusto, Denise Martins e Álvaro RosaCosta
Cenotécnico: Paulo Pereira
Assistência de cenotécnica: Jony Pereira
Operação de som: Beto Chedid
Consultoria técnica de som: Marcelo Bullum
Fotografia: Tom Peres
Fotografia de cena: Adriana Marchiori
Assessoria de imprensa: Liane Strapazzon
Produção executiva: Ana Cristina de Oliveira
Confecção do lustre: Daniel Jainechine
Preparação musical: Simone Rasslan
Costureiras: Almeri Souza, Mari Falcão, Maria Vilma Rossato
Passadeira: Carol Ferraz
Contraregra: Carol Ferraz, Gustavo Dienstmann e Jony Pereira
Aderecista de cabeça: Gustavo Dienstmann
Aderecista: Dinara Dorneles
Projeto gráfico: Daniel Jainechine
Diagramação: pH ácido | Criação e Cultura
Produção: Aresta Cultural
Realização: Casa de Teatro




quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

DESTAQUES DO 6º PRÊMIO OLHARES DA CENA/VÁLVULA DE ESCAPE

E chegou o momento de revelar quais foram os destaques dos blogs Válvula de Escape e Olhar(es) da Cena no teatro em 2015. Como já expliquei em outras postagens, trata-se apenas de homenagear aqueles profissionais que, no meu ponto de vista, merecem ser destacados neste ano que está findando. 
Tenho fixação em criar listas, e desde 2010 faço esta brincadeira saudável e destacar o que assisti e realmente me chamou atenção. Então vamos conhecer os destaques da 6ª edição do Prêmio Válvula de Escape. Parabéns a todos os profissionais.

HOMENAGEM ESPECIAL
2015 foi um ano de perdas nos palcos gaúchos, portanto gostaria de homenagear duas figuras que foram alicerces das artes cênicas. Lúcia Bendati e Hermes Bernardi Jr., nossos aplausos são seus.

LÚCIA BENDATI


HERMES BERNARDI JR.



E os destaques são: 
TEATRO GAÚCHO

MAQUIAGEM


Aldo Júnior Freitas e Gustavo Diestmann
 MACBODAS: TEQUILA, GUACAMOLE Y ALGO MÁS

DESIGN GRÁFICO/IDENTIDADE VISUAL

Marcel Trindade - O homem mais sério do mundo
FOTOGRAFIA DE CENA

Luciane Pires Ferreira - Os homens do triângulo Rosa

TRILHA SONORA
Candido Castro Gian Becker Israel Silva de Oliveira Daniel Fraga Tambor falante - Encanto Zumbi


ILUMINAÇÃO
Eduardo Kraemer - Cadarço de Sapato ou Ninguém está acima da redenção


CENOGRAFIA
Alexandre Navarro - Cadarço de Sapato ou Ninguém está acima da Redenção


FIGURINO
Antônio Rabadan - Os homens do triângulo Rosa

ATRIZ COADJUVANTE
Gisela Habeyche Os homens do triângulo Rosa


ATOR COADJUVANTE
Emílio Farias - Encanto Zumbi



ATOR

Marcelo Adams - Os homens do triângulo Rosa



ATRIZ
Nathália Barp - Macbodas - Tequila, guacamole y algo más


DRAMATURGIA
Thiago Pirajira, Camila Falcão, Bruno Cardoso, Bruno Fernandes, Kyky Rodrigues, Laura Lima, Manuela Miranda e Silvana Rodrigues 
 Qual a diferença entre o charme e o funk?


DIREÇÃO
Margarida Peixoto - Os homens do triângulo Rosa


ESPETÁCULO

Qual a diferença entre o charme e o funk?




TEATRO NACIONAL

PRÊMIO ESPECIAL
Sérgio Penna - bailarino CONGRESSO INTERNACIONAL DO MEDO


MAQUIAGEM
Traço Cia. de Teatro - AS TRÊS IRMÃS


DESIGN GRÁFICO/IDENTIDADE VISUAL
Roberta de Freitas - IRMÃOS DE SANGUE


FOTOGRAFIA DE CENA
Renato Mangolin - IRMÃOS DE SANGUE

TRILHA SONORA

Felipe Storino - EDYPOP


ILUMINAÇÃO
Bertrand Perez e Artur Luanda Ribeiro - IRMÃOS DE SANGUE



CENOGRAFIA
André Curti e Artur Luanda Ribeiro - IRMÃOS DE SANGUE



FIGURINO

Natacha Belova - IRMÃOS DE SANGUE


ATRIZ COADJUVANTE 
Rita Cidade - AVENTAL TODO SUJO DE OVO


ATOR COADJUVANTE
Edceu Barbosa - AVENTAL TODO SUJO DE OVO


ATOR/BAILARINO
Marconi Araújo - PROIBIDO ELEFANTES


ATRIZ
Débora de Matos, Greice Miotello e  Paula Bittencourt - AS TRÊS IRMÃS

DRAMATURGIA
Marcos Barbosa - AVENTAL TODO SUJO DE OVO


DIREÇÃO
André Curti e Artur Luanda Ribeiro - IRMÃOS DE SANGUE


ESPETÁCULO
PROIBIDO ELEFANTES

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

INDICADOS AO 6º PRÊMIO OLHARES DA CENA/VÁLVULA DE ESCAPE

Sérgio Setti - Vencedor 2014 da categoria "Fotografia de Cena" espetáculo "As cinco pontas de uma estrela torta"
TEATRO GAÚCHO

MAQUIAGEM

Margarida Peitoxo - OS HOMENS DO TRIÂNGULO ROSA
Aldo Júnior Freitas e Gustavo Diestmann - MACBODAS: TEQUILA, GUACAMOLE Y ALGO MÁS
Daniel Gustavo - O HOMEM MAIS SÉRIO DO MUNDO
Makki Produções - A PRINCESA ENGASGADA
Orquestra de Brinquedos - ORQUESTRA DE BRINQUEDOS

DESIGN GRÁFICO/IDENTIDADE VISUAL

Priscila Bueno - ENCANTO ZUMBI
Francisco Gick e Luan Silveira - MACBODAS:TEQUILA, GUACAMOLE Y ALGO MÁS
Marcel Trindade - O HOMEM MAIS SÉRIO DO MUNDO
Grupo Teatral Trupe - O MÉDICO QUE RECEITAVA LIVROS
Gabriel Besnos e Matheus Chisté - A PRINCESA ENGASGADA

FOTOGRAFIA DE CENA

Luciane Pires Ferreira - OS HOMENS DO TRIÂNGULO ROSA
Andre Reali Olmos - QUAL A DIFERENÇA ENTRE O CHARME E O FUNK?
Júlia Ludke - O HOMEM MAIS SÉRIO DO MUNDO
Makki Produções - A PRINCESA ENGASGADA
Júlia Ludke e Paula Carvalho - UMBIGO
Coletivo Errática - MACBODAS: TEQUILA, GUACAMOLE Y ALGO MÁS

TRILHA SONORA

Candido Castro, Gian Becker Israel Silva de Oliveira Daniel Fraga Tambor falante - ENCANTO ZUMBI
Marcelo Adams - OS HOMENS DO TRIÂNGULO ROSA
João Pedro Cé - QUAL A DIFERENÇA ENTRE O CHARME E O FUNK?
Gabriel Gorski e Sergio Baiano - O HOMEM MAIS SÉRIO DO MUNDO e UMBIGO
Yanto Laitano - ORQUESTRA DE BRINQUEDO

ILUMINAÇÃO

Carlos Azevedo - ENCANTO ZUMBI
Eduardo Kraemer - CADARÇO DE SAPATO OU NINGUÉM ESTÁ ACIMA DA REDENÇÃO
Mauricio Moura - OS HOMENS DO TRIÂNGULO ROSA
Guto Greca - QUAL A DIFERENÇA ENTRE O CHARME E O FUNK?
Diones Leidens e Marcelo de Carvalho  - MACBODAS: TEQUILA, GUACAMOLE Y ALGO MÁS



CENOGRAFIA

Alexandre Navarro - CADARÇO DE SAPATO OU NINGUÉM ESTÁ ACIMA DA REDENÇÃO
Gil Collares - ENCANTO ZUMBI
Yara Balboni - OS HOMENS DO TRIÂNGULO ROSA
O Grupo - QUAL A DIFERENÇA ENTRE O CHARME E O FUNK?
Coletivo Errática - MACBODAS: TEQUILA, GUACAMOLE Y ALGO MÁS

FIGURINO

Antônio Rabadan - OS HOMENS DO TRIÂNGULO ROSA
Fabrizio Rodrigues - ENCANTO ZUMBI
Gustavo Dienstmann - Macbodas
Leopoldo Schneider - A PRINCESA ENGASGADA
Daniel Lion - ORQUESTRA DE BRINQUEDO

ATRIZ COADJUVANTE

Gisela Habeyche OS HOMENS DO TRIÂNGULO ROSA
Laura Lima - QUAL A DIFERENÇA ENTRE O CHARME E O FUNK?
Thaís Backes - MACBODAS: TEQUILA, GUACAMOLE Y ALGO MÁS
Guega Peixoto - MACBODAS: TEQUILA, GUACAMOLE Y ALGO MÁS
Bruna Elias - UM CONTO PARA UM REI TONTO
Sónia Magina - PÃO COM LINGUIÇA


ATOR COADJUVANTE

Emilio Farias - ENCANTO ZUMBI
Frederico Vasques - OS HOMENS DO TRIÂNGULO ROSA
Bruno Cardoso - QUAL A DIFERENÇA ENTRE O CHARME E O FUNK?
Bruno Fernandes - QUAL A DIFERENÇA ENTRE O CHARME E O FUNK?
Gustavo Susin - OS HOMENS DO TRIÂNGULO ROSA 
Henrique Leal - MACBODAS: TEQUILA, GUACAMOLE Y ALGO MÁS

ATOR

Gil Collares - ENCANTO ZUMBI
Marcelo Adams - OS HOMENS DO TRIÂNGULO ROSA
Francisco Gick - MACBODAS: TEQUILA, GUACAMOLE Y ALGO MÁS
Daniel Gustavo - O HOMEM MAIS SÉRIO DO MUNDOe UMBIGO
Leo Bello - UMBIGO

ATRIZ

Nathália Barp - MACBODAS: TEQUILA, GUACAMOLE Y ALGO MÁS
Carol Oliveira - O MÉDICO QUE RECEITAVA LIVROS
Bruna Immich - UMBIGO
Renata Severo - UM CONTO PARA UM REI TONTO
Anelise Karmas - PÃO COM LINGUIÇA


DRAMATURGIA

Coletivo Errática - MACBODAS: TEQUILA, GUACAMOLE Y ALGO MÁS
Marcelo Adams - OS HOMENS DO TRIÂNGULO ROSA
Totonho Lisboa - O MÉDICO QUE RECEITAVA LIVROS
Fábio Castilhos - UMBIGO
Thiago Pirajira, Bruno Fernandes, Bruno Cardoso, Camila Falcão, Kyky Rodrigues, Laura Lima, Manuela Miranda e Silvana Rodrigues - QUAL A DIFERENÇA ENTRE O CHARME E O FUNK?

DIREÇÃO

Gil Collares - ENCANTO ZUMBI
Margarida Peixoto - OS HOMENS DO TRIÂNGULO ROSA
Tiago Pirajira - QUAL A DIFERENÇA ENTRE O CHARME E O FUNK?
Jezebel de Carli e Coletivo Errática - MACBODAS: TEQUILA, GUACAMOLE Y ALGO MÁS
Caroline Falero - UMBIGO

ESPETÁCULO

ENCANTO ZUMBI
OS HOMENS DO TRIÂNGULO ROSA
QUAL A DIFERENÇA ENTRE O CHARME E O FUNK?
MACBODAS: TEQUILA, GUACAMOLE Y ALGO MÁS
UMBIGO


Gero Camilo - Melhor Ator 2014 "C Casa Amarela"

TEATRO NACIONAL

MAQUIAGEM
Traço Cia. de Teatro - AS TRÊS IRMÃS
Marco Andre Nunes - Edypop


DESIGN GRÁFICO/IDENTIDADE VISUAL
Traço Cia. de Teatro - AS TRÊS IRMÃS
Roberta de Freitas - IRMÃOS DE SANGUE
Anderson Leão - PROIBIDO ELEFANTES
Espanca! - CONGRESSO INTERNACIONAL DO MEDO


FOTOGRAFIA DE CENA
Renato Mangolin - IRMÃOS DE SANGUE
Rodrigo Sena - PROIBIDO ELEFANTES
Cia. Traço - AS TRÊS IRMÃS
Guto Muniz - CONGRESSO INTERNACIONAL DO MEDO
Alex Hermes - AVENTAL TODO SUJO DE OVO


TRILHA SONORA
Felipe Storino - EDYPOP
Jânio Tavares - AVENTAL TODO SUJO DE OVO
Toni Gregório - PROIBIDO ELEFANTES
Cassiano Vedana, Gabriel Junqueira Cabral, Mariella Murgia e Neno Miranda - AS TRÊS IRMÃS
Fernando Mota - IRMÃOS DE SANGUE


ILUMINAÇÃO
Renato Machado - EDYPOP
Jânio Tavares - AVENTAL TODO SUJO DE OVO
Ronaldo Costa - PROIBIDO ELEFANTES
Nadja Naira - CONGRESSO INTERNACIONAL DO MEDO
Ivo Godois - AS TRÊS IRMÃS
Bertrand Perez e Artur Luanda Ribeiro - IRMÃOS DE SANGUE


CENOGRAFIA
Fernando Mello da Costa - EDYPOP
Jânio Tavares e Wanderley Peckovski  - AVENTAL TODO SUJO DE OVO
André Curti e Artur Luanda Ribeiro - IRMÃOS DE SANGUE
Giradança - PROIBIDO ELEFANTES
Cia. Traço de Teatro - AS TRÊS IRMÃS

FIGURINO
Marcelo Marques - EDYPOP
Loris Haas - PROIBIDO ELEFANTES
Traço Cia. de Teatro - AS TRÊS IRMÃS
Natacha Belova - IRMÃOS DE SANGUE



ATRIZ COADJUVANTE 
Isadora Medella - EDYPOP
Laura Araújo - EDYPOP
Zizi Telécio - AVENTAL TODO SUJO DE OVO
Rita Cidade - AVENTAL TODO SUJO DE OVO
Gláucia Vandeveld - CONGRESSO INTERNACIONAL DO MEDO
Raquel Iantas - IRMÃOS DE SANGUE

ATOR COADJUVANTE
Jorge Caetano - EDYPOP
Jandir Ferrari - EDYPOP
Edceu Barbosa - AVENTAL TODO SUJO DE OVO
Marcelo Castro - CONGRESSO INTERNACIONAL DO MEDO
Alexandre de Sena - CONGRESSO INTERNACIONAL DO MEDO
Daniel Leuback - IRMÃOS DE SANGUE


ATOR
Remo Trajano - EDYPOP
João Velho- EDYPOP
ÁLVARO DANTAS - PROIBIDO ELEFANTES
Marconi Araújo - PROIBIDO ELEFANTES
Rodrigo Minotti - PROIBIDO ELEFANTES
Marcelo Bones - CONGRESSO INTERNACIONAL DO MEDO
André Curti - IRMÃOS DE SANGUE
Artur Luanda Ribeiro - IRMÃOS DE SANGUE


ATRIZ
Letícia Spiller - EDYPOP
Joaquina Carlos - AVENTAL TODO SUJO DE OVO
Débora de Matos - AS TRÊS IRMÃS
Greice Miotello - AS TRÊS IRMÃS
Paula Bittencourt - AS TRÊS IRMÃS



DRAMATURGIA
Pedro Kosovski - EDYPOP
Marcos Barbosa - AVENTAL TODO SUJO DE OVO
Marianne Consentino - AS TRÊS IRMÃS
André Curti e Artur Luanda Ribeiro - IRMÃOS DE SANGUE
Grace  Passô - CONGRESSO INTERNACIONAL DO MEDO


DIREÇÃO
Marco André Nunes - EDYPOP
Jânio Tavares - AVENTAL TODO SUJO DE OVO
Clébio Oliveira e Anderson Leão - PROIBIDO ELEFANTES
Marianne Consentino - AS TRÊS IRMÃS
André Curti e Artur Luanda Ribeiro - IRMÃOS DE SANGUE


ESPETÁCULO
EDYPOP
AVENTAL TODO SUJO DE OVO
PROIBIDO ELEFANTES
AS TRÊS IRMÃS
IRMÃOS DE SANGUE


A lista da seleção do autor do blog será divulgada no dia 30/12.

domingo, 28 de setembro de 2014

A LÁ PUCHÁ! UMA COMÉDIA GAÚCHA (RS)


A lá puchá!Tradicionalismo em cena

"A lá pucha" Uma comédia gaúcha" já explicita no título a que veio: fazer rir construindo todo o seu enredo a partir da expressão "A lá puchá!" e tem o simples intuito de fazer comédia. Baseado nesta premissa o espetáculo cumpre muito bem o papel a que se destina. A dramaturgia de Rafael Barcellos se sustenta através de uma disputa entre Mariana e seus dois pretendentes que precisam passar pela aprovação de seu pai Juca das Flores para conquistar o coração da jovem. O espetáculo é essencialmente uma comédia de costumes, onde faz uma análise comportamental dos personagens focado nas relações humanas e no contexto social. Temos aqui tipicas figuras do imaginário gaudério: o pai extremamente conservador que cuida da filha que é frágil e sem voz ou autonomia, os dois pretendentes gaúchos que se utilizam de todas suas qualidades (ou não) para conquistar o coração da menina e até mesmo a presença de uma comadre fofoqueira, figuras pertencentes ao folclore dos pampas.
O elenco do espetáculo é desequilibrado, sendo que a força está centrada nas figuras masculinas, tanto nas atuações quanto na dramaturgia, pois a mulher no espetáculo está relegada a segundo plano, sendo que as interpretações de Analu Bastos e de Vianês Amaral está muito aquém do elenco masculino. E aqui cabe uma questão: porque tanto na dramaturgia e no trabalho de atuação está força é desequilibrada?   Pois a narrativa já reforça uma série de questões que não engrandecem a figura feminina e ainda por cima estas figuras são apagadas? Penso que poderia se subverter isso, repensando o papel das mulheres dentro do espetáculo, e fortalecendo esta relação.
Quanto ao elenco masculino, penso que conseguem criar um jogo muito interessante, ágil e que consegue comunicar muito bem. Destaque para a figura construída pelo ator Édi Terra na figura de Juca das Flores, uma figura forte e imponente. 
A direção de Rafael Barcellos é eficiente, e consegue articular todos os elementos da encenação, devendo atentar apenas para o uso excessivo da trilha sonora em alguns momentos e de repensar a função do cenário, cuidando para não ser apenas ilustrativo. 
Com tudo isso "A lá puchá!" é um espetáculo com um apelo popular muito forte, que consegue agradar em cheio a todos espectadores, pela identificação imediata que tem ao trazer a cena questões do tradicionalismo gaúcho, e acima de tudo com boas soluções cênicas. Vida longa ao espetáculo!

Diretor: Rafael Barcellos
Autor: Rafael Barcellos
Operador de Som: Rafael Barcellos
Criador da trilha sonora: Rafael Barcellos
Operação de luz: Léo Bizarro
Criador da iluminação: Léo Bizarro
Maquiador: Grupo
Criador da maquiagem: Grupo
Figurinista: Daniel Machado
Cenógrafo: Daniel Machado & Édi Terra
Elenco: 
Vianês Amaral
Analu Bastos
Léo Cardoso
Daniel Machado
Édi Terra





O CHAPELEIRO MALUCO (RS)



Equivoco em produção voltada aos pequenos

"O chapeleiro maluco" é uma produção do Grupo Teatral Leva Eu direcionada as crianças e é exatamente por aí que eu começo minha analise. Fazer teatro é uma responsabilidade muito grande, e quando direcionamos o fazer teatral ao público infantil esta responsabilidade tem de ser redobrada. O que eu percebo nesta montagem de "O chapeleiro maluco" é uma sucessão de equívocos, que podem e devam ser trabalhados para que esta experiencia possa ser potencializada. 
Quando o espetáculo inicia percebemos um palco com poucos elementos, uma limpeza na cena que poderia servir para a criação de imagens em ação, mas a medida que o espetáculo avança vem a tona uma série de esteriótipos do teatro infantil como o uso exagerado de intenções didáticas, que tem que se ter um pouco de cuidado, pois a criança é um ser dotado de inteligencia e que por isso não precisa ser tratada como não fosse inteligente. A criança tem a capacidade de interpretar o que vê, portanto não é saudável mastigar tudo e entregar ao público. A dramaturgia peca no sentido de explorar um moralismo, onde Aninha é boa/Juca é ruim e o professor é o espelho que tem que ser seguido. O texto poderia usar as contradições destes personagens, explorar melhor o universo dos sonhos que é o universo do Chapeleiro, explorar sensações diferenciadas que evidenciem este universo paralelo. 
Os figurinos tem uma preocupação em se comunicar com o espectador quando utiliza a mesma estampa para o figurino dos irmãos, até mesmo no inusitado figurino do Chapeleiro, mas penso que os demais elementos estéticos como a trilha sonora que em nenhum momento ajuda a encenação, a criar climas e tensões, pois são músicas conhecidas, mas que são deslocadas do contexto da narrativa e acabam se tornando clichês. As coreografias são muito bonitas, mas também não auxiliam, pois são apenas coreografias, sem sentido na encenação, assim como a iluminação que poderia ter papel fundamental aqui, mas é pouco explorada, poderia criar climas e suspensões na proposta. 
Tudo precisa ser repensado, até mesmo a relação com a platéia, pois nem sempre nas produções infantis é necessário esta relação, e aqui a relação é forçada. 
Sugiro então repensar o trabalho no sentido de aprofundar as personagens no sentido dramatúrgico e no sentido das atuações, no sentido das convenções e fugir dos esteriótipos e do politicamente correto, sujar mais as figuras, construindo uma dualidade inerte ao ser humano. 
Como já conheço outros trabalhos do diretor Igor e sei desta humildade e gana em trabalhar com teatro, sei que ele vai filtrar todas as questões e vai triunfar em seus novos projetos. 

Direção: Igor Ramos
Elenco: Gabriel Rocha, Giordano Freitas e Juliana Johan
Cenografia: O grupo
Figurinos, coreografia, maquiagem e trilha sonora: Juliana Johan
Iluminação: Igor Ramos

O AUTO DA COMPADECIDA (RS)


Arrebatador!

O espetáculo “O auto da compadecida” foi até aqui a grande surpresa do Montenegro em Cena, pois conseguiu me arrepiar desde a primeira imagem que vi do trabalho. Temos aqui um trabalho que acerta em tudo. Um trabalho com uma concepção apurada e com idéias muito claras e concisas. 
A encenação parte do texto de Ariano Suassuna, mas tem forte referencia na adaptação televisiva que mesclou a dramaturgia o cerne de dois de deus textos: “O auto da Compadecida” e “O santo e a porca”. Poderia ser um demérito esta referencia ao filme ou minissérie, porém o grupo se apropria muito bem de tudo isso e vai além, pois agrega a cena uma forte musicalidade. A trilha sonora é toda executada ao vivo pelos atores e isso é realmente fantástico, pois este elemento é um fator muito forte na encenação e que por isso se potencializa. Neste aspecto o grupo recria algumas canções do cancioneiro popular e contextualiza no enredo da peça, e isso faz com que a trilha se torne um forte elemento que não está apenas para criar climas e tensões, mas está ali para comunicar, para narrar e a musicalidade cumpre um papel fundamental. É lindo de se ver e ouvir um elenco afinado, cantando e se divertindo com tudo isso. 
Outro elemento estético que é muito favorável na peça são os figurinos assinados por Fabrizio Rodrigues, pois todas as peças comunicam por si só, dialogam com o todo e foram muito bem explorados em suas estampas, cores, cortes e tipo de tecido. Um visual que impressiona desde o primeiro momento. A iluminação também cumpre um papel fundamental pois além de iluminar os atores, cria jogos e espaços de criação que auxiliam na encenação. 
Os outros elementos estéticos foram muito bem pensados em seu minimalismo, como a maquiagem que não é exagerada, é no tom certo, exato que auxilia os atores a comporem suas figuras, assim como o cenário e os adereços, que são móveis, transformam-se e estão ali a serviço da cena. 
Saliento que o espetáculo foi aplaudido em cena aberta duas vezes, e isso deve-se ao equilíbrio alcançado pelo elenco e direção. O elenco é coeso, todos tem espaços para criação, com exceção de Ivan Lauermann, que faz o padeiro, e Leandro Lotermann que faz o cangaceiro, pois estes dois atores poderiam, com o auxilio de seu diretor de aprofundar um pouco mais seus personagens, a modo que possam crescer e aparecer mais em cena, não chegam a destoar do todo, porém podem conseguir resultados mais próximos aos demais atores. 
Quanto ao restante do elenco, conseguem imprimir aos seus personagens uma verdade e entrega, e tenho que destacar a Fabíola e Nicole Orth que fazem João Grilo e Chicó, pois conseguem imprimir uma verdade a estes personagens que já tem um registro televisivo muito forte no nosso imaginário e que por isso conseguem subverter esta lógica alcançando resultados ótimos. Ana Ledur, em minha opinião, é a que melhor se aproveita da sua personagem, conseguindo imprimir a sua personagem “a mulher do padeiro” um tom na medida exata, me ganha com sua malemolência e força, mas não apenas por isso, mas também pela personificação da figura do demônio, que com todos os adereços e figurinos Ana consegue criar uma figura grande, enorme que extravasa na cena, por isso merece meu destaque. 
Júlio Schuster é para mim uma revelação enquanto diretor, já conhecia seu trabalho de ator, mas na direção eu realmente me impressionei muito. O grupo dá a entender que se trabalha no coletivo, que não fazem nada sozinho, mas quem assina e quem trás propostas é o Júlio e por isso merece o meu respeito por nos apresentar um produto estético tão apurado, tão bem amarrado em todos os aspectos. Júlio foi feliz em todas as suas escolhas e isso é realmente maravilhoso quando acontece. Ou seja, temos aqui um grupo de jovens atores com uma maturidade incrível que às vezes não encontramos em coletivos profissionais. 


Diretor: Júlio Schuster
Autor: Ariano Suassuna Classificação etária: Livre
Contra-regra: 
Operador de Som:
Criador da trilha sonora: O grupo 
Operação de luz: Júlio Schuster
Criador da iluminação: Marcos Cardoso
Maquiador: O Grupo
Criador da maquiagem: Tuti Kerber
Figurinista: Fabrizio Rodrigues
Cenógrafo: Júlio Schuster
Elenco: 
Fabiola Orth
Nicole Orth
Isadora Dahmer
Samuel Vier
Ana Vier
Ana Ledur
Ivan Lauermann
Vanessa Hilgert
Leandro Lotermann















sexta-feira, 26 de setembro de 2014

OS DESCASADOS (RS)



“Os descasados” é uma comédia que trás a história de Mariana e Sezefredo, um casal que vive aos trancos e barrancos na vida conjugal. O espetáculo é nos apresentado como uma farsa e é perceptível alguns elementos muito forte deste gênero em cena como gestualidade grandiloqüente, enchimentos, maquiagem exagerada e uma corporalidade exacerbada. 
As figuras construídas por Everton e Gina chamam a atenção desde o primeiro momento que aparecem no lado de fora do teatro e começam ali a sua interação com a platéia, mas no palco penso que os dois atores poderiam apurar melhor o jogo e relação entre estas duas figuras, demasiadas vezes percebo que o jogo funciona muito mais com quem está assistindo (principalmente os que estão dispostos sobre o palco), do que interagindo entre eles. Penso que os atores poderiam exercitar uma escuta entre os dois, para que a cumplicidade entre eles possa se fortalecer e fazer o jogo efetivamente acontecer. Em alguns momentos isso acontece, é quando é gostoso de estar assistindo aquelas figuras, porém em outros momentos o jogo enfraquece e cria-se uma ampla abertura para o improviso, que se for utilizado de forma inteligente tudo bem, porém o resultado pode se dar de modo desastroso.
Na apresentação que o Grupo realizou no Festival o que percebi foi que por esta falta de escuta e interação entre a dupla, acaba ocorrendo uma sucessão de erros em cena, e estes erros são percebidos pela platéia. Muitos destes foram super bem resolvidos através do olhar apurado do Everton que se safou e muito bem de alguns destes imprevistos, porém outros não tiveram como serem corrigidos. Mas se o espetáculo tiver esta abertura para o improviso é aceitável, o que percebo é que “Os descasados” não é um espetáculo fechado, porém nem tão aberto para apenas ficar consertando cenas e improvisando. Por isso é extremamente importante exercitar sempre o estado de jogo e a escuta entre os atores, que pelo fato de estarem a muitos anos apresentando a mesma peça pode se desgastar.
Os elementos constitutivos da cena estão a serviço do trabalho, através de um cenário simples, uma luz básica sem grandes movimentos e uma trilha que auxilia a contar a narrativa. Os figurinos jogam com cores opostas o que contribui para a relação dos atores.
Quanto as atuações percebo o trabalho que Gina e Everton conseguem sustentar e se aproveitar muito bem, sendo que na maioria das vezes Everton consegue se sair melhor, justamente por ir ajustando tempo/ritmo durante o espetáculo, consegue ir da sutileza para o grandiloqüente, ao contrário de Gina que já imprime a sua personagem uma energia muito grande desde o inicio, chegando até mesmo a faltar o ar em algumas vezes. Gina poderia aproveitar mais sutilezas, jogar com o grande e o pequeno e crescer com isso. 
Contudo isso, “Os descasados” é um espetáculo que se centra na figura dos atores e quando estes estão fragilizados o espetáculo não se mantém, mas mesmo assim, não deixa de ser prazeroso assisti-los.   


DIREÇÃO GERAL: EVERTON SANTOS
ELENCO:
GINA SAMANTA
EVERTON SANTOS
OPERADOR DE SOM / LUZ: DAIANE CARDOSO / BIANCA FLORES
ASSESSORIA: JOSI AZEREDO / MATEUS FRENA / ANDRÉA LUCENA
MAQUIAGEM: GINA SAMANTA
TRILHA SONORA: EVERTON SANTOS
FIGURINO/CENÁRIO: RENASCENÇA


VALSA Nº 6 (RS)


OUSADIA NECESSÁRIA
“Assistir ao espetáculo “Valsa nº 6” no Montenegro em Cena desperta em mim um misto de alegria e satisfação. Primeiro destaco a qualidade que o Grupo Art in fato consegue alcançar com a sua produção. Segundo que vejo aqui neste coletivo a possibilidade da criação e pesquisa tão forte e ousada, onde jovens atores unidos a uma também jovem diretora conseguem alcançar resultados estéticos bastante apurados e equilibrados. 
Parto da premissa de que se trabalhar com textos conhecidos e clássicos sempre é um tabu, pois adaptar uma dramaturgia que já é carregada de significados e que no momento em que a adaptação é feita, corre-se o risco de traí-la, já é um desafio. Mas os jovens atores conseguem (e por sinal muito bem) vencer esta etapa, conseguindo utilizar o texto do Nelson Rodrigues como um pretexto para a criação de um espetáculo imagético, onde a figura da personagem Sônia (que no original é uma personagem única porém com uma personalidade esfacelada), aqui é diluída, dissecada, fragmentada, coletivizada e experimentada pelo grupo de dez atores, que trazem a cena, os fragmentos da mente atormentada de Sônia, assim como as figuras que permeiam a sua alucinação como o Pedro e o Dr. Junqueira. 
E é neste sentido que este Valsa nº 6 me surpreende, pois consegue colocar em cena uma gama de signos teatrais e metafóricos que faça com que o espectador se envolva com o trabalho, não por uma via racional, mas através de uma linha sensorial, até porque talvez quem não conheça o texto, não consiga se envolver aos pormenores da dramaturgia textual, mas consegue se envolver através da dramaturgia cênica, que é extremamente original e viva. 
Percebo a mão precisa da Bianca Flores enquanto diretora e as possibilidades que ela explora ao criar sua encenação. Bianca propõe e isto é muito saudável. Quando estamos dispostos a criar um trabalho coletivo e nos colocamos nele com disponibilidade de propor, de arriscar e de brincar com novas possibilidades. Quando isso acontece é louvável, pois neste caso a direção tem muito material, muitas possibilidades para se criar e jogar e aí chega o momento de potencializar certas escolhas, de ajustar tempos, ritmos, ocupação do espaço, evidenciar algumas cenas, trabalhar as sutilezas, enfim, amadurecer uma proposta que já se sustenta muito bem. 
O espetáculo em sua totalidade é extremamente lindo, repleto de ações físicas, de partituras cênicas e de um gestual que as vezes é coletivo, se utilizando muito da figura do coro, as vezes tem ênfase em uma atriz, enfim, o espetáculo consegue se comunicar muito bem com esta força imagética e poética. Destaque para a cena do estupro, feita com sombras, e da cena onde os rostos aparecem na parede, onde também se utiliza de um tecido que dá um efeito sensacional a cena. E o bacana de ver é que estas imagens se constroem e se diluem num ritmo alucinado. 
Penso que a direção poderia investir mais nas transições de algumas cenas, pois às vezes se constroem imagens belíssimas, porém são muito rápidas não dando tempo do espectador se deleitar. Outra questão a ser trabalhada seria a voz e articulação de todo o elenco, principalmente nas cenas coletivas, pois fragiliza quando não está equalizada e uníssona. A cena que atriz rompe com a quarta parede também não auxilia na encenação, pois a aproximação com a platéia fragiliza as imagens que estão sendo propostas no palco e fragiliza a relação da atriz com o espectador. 
Quanto ao elenco, percebo que é coeso, entregue e está muito disponível para experimentar, para arriscar-se e isso é muito bom, pois quando encontramos jovens disponíveis a criação teatral que parte de princípios e códigos que são experimentais na sua essência, vejo que temos aí, um terreno fértil para que esta parceria se aprofunde cada vez mais. Não destaco ninguém do elenco pois os atores estão num nível de representação muito coletivo, ninguém joga sozinho, todos estão a disposição do todo, e isso é que é bacana de se observar, quando todos estão jogando juntos. 
Por isso ressalto que o Grupo Art in fato foi realmente uma grata surpresa, pois soube utilizar muito bem um texto conhecido a seu favor, nos oferecendo um trabalho de qualidade e beleza. Parabéns a todos e que esta experiência possa ser um trampolim para novos vôos.

Direção: Bianca Flores
Autor: Adaptação da obra de Nelson Rodrigues, por grupo Art in Fato Classificação etária: 15 anos

Operador de Som: Aline Fetter
Criador da trilha sonora: O Grupo
Operação de luz: Bianca Flôres
Criador da iluminação: Fernando Tepasse
Maquiador: Maria Paula Correa
Criador da maquiagem: O Grupo
Figurinista: Shana Domingues
Cenógrafo: O grupo

Sinopse da peça:
O Grupo Art In Fato traz para a cena uma adaptação desafiadora da obra de Nelson Rodrigues, em que a história gira em torno de Sônia, uma menina assassinada aos 15 anos, que tenta montar o quebra-cabeça de suas memórias e reconstituir os acontecimentos de sua vida. 


Elenco 
01 Andressa Erbes
02 Mateus Frena
03 Jaqueline Rhoden
04 Maiara Schneider
05 Maiara Baumgarten
06 Cintia Orth
07 Ivan Käfer
08 Chrystian Arnhold
09 Ana Paula Ne